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Limpeza de Injetores de Combustivél
Limpeza de Injetores de Combustivél

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LIMPEZA DE INJETORES DE COMBUSTÍVEL 



Introdução

Estatisticamente, menos de 5% dos problemas nos injetores de combustível estão relacionados a problemas elétricos ou mecânicos. A maior parte das falhas no injetor são provocadas pelo acúmulo de detritos e por corrosão.

Muito se fala a respeito da limpeza de injetores de combustível, mas nem sempre com suficiente conhecimento. Ou se emitem opiniões pessoais sobre o assunto ou se alardeia um imenso blá-blá-blá coberto de mitos para justificar a venda de produtos e equipamentos duvidosos ou amadores. A maioria das vezes o pouco que ouvimos ou não possui embasamento técnico ou faz parte de conversas que alguém falou para outrém, quase sempre com um certo grau de distorção.

O objetivo desta série de artigos é desvendar os mistérios da limpeza de injetores, quebrar os tabus que a permeiam e elucidar as principais dúvidas que surgem, principalmente, na hora de definir a compra de um produto ou equipamento de limpeza.


Anatomia do injetor

O injetor é peça fundamental nos modernos sistemas eletrônicos de injeção de combustível. É uma válvula mecânica controlada eletronicamente, fabricada com tolerâncias tão pequenas quanto 1 micra (a milésima parte do milímetro). Esta válvula, no geral, funciona com tempos de abertura que variam entre 2 e 15 milissegundos. A entrada do combustível se dá sob pressão, através de um ou mais orifícios dosadores, protegidos por uma malha filtrante muito fina da ordem de 20 micras. Quando um pulso elétrico abre a válvula mecânica, o combustível pressurizado penetra pelos orifícios dosadores, percorre o canal de distribuição, os compartimentos de ajuste de velocidade e pressão, e é ejetado pelo(s) orifício(s) de saída (ponta da agulha), numa dose controlada.

Todo o sistema de injeção depende da confiabilidade, precisão e funcionamento dos injetores de combustível, que trabalham com tolerâncias extremamente pequenas.

 

Os injetores são fabricados para durarem 240.000 km ou mais. Entretanto, em países como os Estados Unidos da América, alguns fabricantes garantem seu funcionamento por apenas 5 anos ou 80.000 km, devido à política de emissões vigente.

No Brasil, em função da qualidade dos combustíveis disponíveis, esse tempo é bem menor. Contudo, com a devida manutenção, a vida do injetor pode ser plenamente aproveitada.

O injetor deve ser cuidadosamente manuseado. Os filtros e anéis de vedação, assim como as capas de proteção da ponta da agulha, podem ser substituídos na oficina. Entretanto, componentes internos como os anéis toroidais, êmbolo da válvula agulha e bobina do solenóide, não.


Injetores sujos, a verdadeira história

Muitas vezes os injetores são esquecidos nas revisões normais do veículo. Contudo, assim como artérias obstruídas podem causar um ataque cardíaco, injetores sujos podem levar um veículo ao colapso.

Demonstrou-se na prática que com um acúmulo de detritos no interior do injetor de tão somente 5 micras, pode ocorrer uma redução de até 25% no fluxo de combustível que atravessa o injetor.

Os veículos modernos estão equipados com um sistema eletrônico de auto-diagnóstico que identifica de forma rápida e precisa os componentes eletrônicos defeituosos do motor, inclusive com o veículo em movimento. No entanto, os injetores são componentes eletromecânicos, e é precisamente o aspecto mecânico que é fundamental para a eficácia do motor, sendo facilmente afetado por contaminantes.

Um estudo recente, realizado por uma das escolas técnicas automotivas mais importantes da Inglaterra, revelou que a manutenção adequada dos injetores de combustível reduz as emissões de CO (Monóxido de Carbono) em 36% (em média).

Tenha em mente que o funcionamento mecânico dos injetores não pode ser analisado, verificado ou comprovado com precisão se os mesmos se encontrarem instalados no veículo. Eles devem ser retirados do motor e avaliados cuidadosamente quanto à vedação (estanqueidade), ao aspecto do padrão de atomização (spray ou vaporização), e quanto aos fluxos de alimentação num programa de simulação (vazão em diversas rotações e aberturas).


Causas

O combustível possui diversas impurezas, sejam nativas, como os aditivos (álcool anidro, detergentes, dispersantes, etc.), sejam adquiridas, como a umidade do ar (água), resíduos minerais dos tanques de armazenamento (caminhão e posto de abastecimento), das mangueiras e conexões da bomba, etc. Além disso, no sistema de alimentação do veículo (tanque, bomba, filtro, mangueiras, conexões, etc.) ocorre o desprendimento de vernizes, óxidos, lacas, detritos sólidos e fibras.

Esses depósitos pegajosos e resíduos da gasolina se depositam principalmente nas paredes dos filtros e no assento da agulha do injetor.

A redução da quantidade de combustível, causada pela limitação do fluxo injetado, eleva a temperatura de combustão, que provoca o endurecimento dos elementos contaminadores.

Quando há obstrução nos injetores, o sistema eletrônico de injeção tenta compensar a redução do fluxo de combustível mantendo o injetor aberto por mais tempo, de forma a garantir a mesma quantidade de combustível. À medida que o fluxo de combustível diminui, a largura do pulso de abertura aumenta, provocando um aquecimento adicional no injetor. A absorção térmica resseca os resíduos do combustível, aumentando também a sua aglutinação.

Ciclos de fechamento curtos, com repetidas variações de temperatura, provocam a difusão do combustível. Neste processo, os gases leves evaporam e as partículas pesadas do combustível se assentam na extremidade do injetor. O aquecimento do motor “assa” ou queima as partículas pesadas, transformando-as em depósitos duros. Estes depósitos obstruem o injetor, reduzindo o volume de combustível e distorcendo o padrão de spray.

Nos sistemas multiponto, a reaspiração de gases de exaustão pode também provocar o depósito de carbono, que se acumula ao redor dos orifícios de saída e na ponta da agulha do injetor.


Conseqüências

Quando a quantidade de combustível injetado fica fora de especificação aparecem problemas de dirigibilidade porque o módulo de controle não consegue manter a relação de combustão (ar/combustível) adequada.

Injetores sujos entregam quantidades desbalanceadas de combustível e possuem padrões irregulares de pulverização.

O fluxo inadequado de combustível dificulta a partida do motor, provoca falhas de aceleração e de manutenção da marcha lenta, polui o ambiente com excesso de poluentes, prejudica a economia de combustível e provoca a perda geral de potência. Além disso, a mistura pobre provocada pela limitação do fluxo de combustível, leva o motor a funcionar demasiadamente quente (temperatura de combustão anormalmente alta), comprometendo a vida útil do motor.

Atomização pobre também causa problemas no sensor de oxigênio e prejudica o catalisador, que é um componente caro.

O acúmulo de detritos pode levar um injetor à obstrução, ao travamento e ao gotejamento (falha de estanqueidade).


Problemas associados com injetores sujos:

• Perda de potência – O veículo perde força
• Economia - O veículo consome mais combustível
• Poluição – O veículo não passa na análise de emissões de gases
• Partida – Partida dificultosa a frio e a quente
• Marcha lenta – O veículo não conserva marcha lenta uniforme
• Condução – Dirigibilidade prejudicada, resposta irregular


Prevenção

O aparecimento de novos aditivos para combustível, de combustíveis aditivados, DNA’s de origem, sistemas de limpeza por agentes químicos pressurizados e até mesmo as constantes reformulações dos combustíveis pelas indústrias pretolíferas, são uma prova real da importância do problema.

Somente a manutenção preventiva pode amenizar as consequências e restaurar os injetores a sua condição original. Os injetores irão sujar sempre e haverá sempre a necessidade de realizar a sua limpeza, portanto o serviço de manutenção de bicos injetores é receita certa para qualquer oficina mecânica.

Os injetores de combustível devem ser encarados como dentes, precisam de uma limpeza profissional uma vez ao ano. A limpeza periódica manterá o motor em sintonia e minimizará os transtornos decorrentes do problema.
Abastecer sempre num mesmo posto, questionar a origem do combustível, limpar periodicamente o sistema de injeção e substituir os filtros de acordo com as recomendações técnicas, são práticas saudáveis (para o veículo e para o bolso do proprietário) que poderão poupar o veículo de danos mais sérios, como a deterioração prematura do sensor de oxigênio e do catalizador.


Solução

Embora os fabricantes de injetores não recomendem explicitamente a sua limpeza (os motivos são óbvios e meramente comerciais), sabemos que eles a aceitam. Além do mais, a manutenção completa (limpeza, teste e substituição de filtros, anéis de vedação e capas de proteção) possui um custo menor do que a simples substituição do injetor.

Entre outros benefícios, a limpeza melhora o fluxo injetado, crítico principalmente em alta rotação em relação à potência do motor, restaura o padrão de atomização, que contribui no aumento do torque do motor e preserva o sensor de oxigênio e o catalisador, e melhora a equalização, que diminui a emissão de poluentes e o consumo de combustível.

Contudo, alguns sistemas e processos de limpeza podem ser nocivos para os injetores, como por exemplo, aqueles que utilizam sobrepressão, que podem avariar os componentes internos do injetor e aumentar a sua contaminação, ou aqueles que utilizam o ataque químico, que podem provocar a corrosão e a erosão de suas partes. Além do mais, nem a pressão nem o ataque químico conseguem remover todos os restos dos piches, dos vernizes e das lacas que se acumulam nos injetores de combustível.

Evite também utilizar aqueles processos milagrosos que prometem a limpeza dos injetores sem precisar retirá-los do motor. Considere que, “limpar injetores sem desmontá-los é como escovar os dentes sem abrir a boca”.

Retirar os injetores do veículo e submetê-los a um banho ultra-sônico profissional é a única forma de limpar e remover esses acúmulos com segurança, sem prejudicar o injetor ou o sistema de abastecimento de combustível.